“A gente fica esperando das crianças que elas se comportem, mas o que é se comportar? É ficar em silêncio. Mas aí tem o seguinte: nós somos um dos países que mais toma Ritalina. Deve ter alguma quantidade de crianças tomando remédios para décicit de atenção à toa. E sabe quem não ajuda? A gente.”youtuber e jornalista Julia Tolezano – mais conhecida como Jout Jout -, aproveitou o ensejo do Dia das Crianças para falar sobre o tema infância em seu canal. Conhecida por sua militância em assuntos como feminismo e igualdade de gênero, ela ressalta a visão distorcida que impera na sociedade sobre como deve ser a “criança ideal”, imagem esta quase sempre pautada pela necessidade dos adultos, e não da própria criança. “Esperamos das crianças uma perfeição que elas não podem dar, porque perfeição não existe. Elas são crianças, e crianças são um mar de conflitos. Crescer é passar por conflitos”, defende ela. Intitulado ironicamente como “Criança boa é criança quieta“, o vídeo faz uma reflexão sobre o caráter nocivo de medicamentos como Ritalina em casos desnecessários, do silenciamento da infância praticado em tantos âmbitos sociais, de rede de apoio, educação afetiva, birra e outros pontos comuns às famílias com crianças.

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“Precisamos falar sobre como a gente não fala com as crianças”, diz Jout Jout.

                                Mencionando o pensamento filosófico do psicanalista Christian Dunker, professor da Universidade de São Paulo, ela ressalta a urgência de os pais, cuidadores, professores e todos aqueles que convivem com as crianças pratiquem uma escuta ativa e interessada de suas demandas emocionais.
“A gente fica esperando das crianças que elas se comportem, mas o que é se comportar? É ficar em silêncio. Mas aí tem o seguinte: nós somos um dos países que mais toma Ritalina. Deve ter alguma quantidade de crianças tomando remédios para décicit de atenção à toa. E sabe quem não ajuda? A gente”, problematiza.
A vlogueira chama a atenção para a qualidade pobre de muitas relações entre adultos e crianças, que muitas vezes acontecem a partir do ímpeto de o adulto reprimir o que a criança tem de mais espontâneo e natural. “Achamos que só quando a criança está quieta é que ela está bem. Mas quando ela está gritando também. Está extravasando tudo o que tem dentro dela”, diz.
“As pessoas pensam que não têm nada a ver com o filhos dos outros. Mas tem, sim, porque eles estão no mesmo mundo. O filho dos outros é quem vai estuprar o nosso no futuro, é quem vai namorar o nosso filho”.
Assista ao vídeo completo:

  Fonte: Catraca Livre

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